quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Carta aberta ao amigo machista

Ei amigo,
  Quero conversar com você. Me desculpa a ausência, mas a presença tá meio difícil de manter. Tô precisando de coragem.
  Caro amigo, sei que tenho me tornado repetitiva e às vezes cansativa, pois falo sempre de luta. Quero que entenda que é porque tenho me tornado um campo de batalha, um corpo onde a luta vive. Tenho lutado por tantas coisas e contra tantas outras que se citar aqui deixa de ser carta e passa a ser livro. 
  Ei, quero te dizer o porque tem sido tão difícil me manter coesa, dizendo que te quero por perto, mas me afastando. Veja bem, eu gosto de você, você foi abrigo nos momentos difíceis, compartilhou comigo voz e ouvidos, e espero que esteja sempre comigo, mas não do jeito que tem sido. Juro que não é por maldade, mas quero que fique só se tiver vontade e quando digo vontade me refiro de aderir à mudança que ocorre em mim e que eu realmente quero que ocorra em você.
   Amigo, você mesmo me disse que todo homem é machista, então preciso te dizer: você é machista!  E isso me fere, porque não quero te limitar ou ficar te corrigindo o tempo todo. Não sei se você é capaz de ferir alguém com intencionalidade, aliás, duvido muito. Mas suas piadas, seu jeito de falar -em português ou inglês- e se posicionar à respeito das mulheres machuca e machuca muito. Você nunca me machucou diretamente, afinal você falava isso das outras, eu era exceção lembra?
  Pois bem, eu não sou exceção, eu sou como elas e elas possuem amigos como você. Não me jogue contra elas -enquanto tenta ser meu amigo- ou me destaque desmerecendo-as -tentando melhorar meus problemas de auto estima-, pois há outro fazendo isso comigo. Eu sei que você vê seus atos como inofensivo, mas por trás de toda piada ou palavra machista está escondido um pensamento que põe as mulheres em desigualdade de você.
  Não sei muito sobre os seus relacionamentos, mas quando você dá um apelido para o seu carro que destaque o uso dele em relação as mulheres que carrega, você está sendo machista. Quando você não consegue levar a sério aquela menina do Tinder, só pelo fato dela estar nesse aplicativo você está sendo machista. Quando você chama outros caras de pussy, você está sendo machista. Quando você diz bitch para alguma menina que não gosta, você está sendo machista. Quando você me conta tudo sobre ela de modo a me "mostrar" o quão eu sou "melhor" ou não deveria estar passando por essa situação, você está sendo machista, está me fazendo vê-la como inimiga, está estimulando a competição entre as mulheres, para que não unamos e isso é machismo. Quando você salienta características físicas das mulheres em detrimento de seus conhecimentos, você está objetificando mulheres. Mas nós não somos objetos, nós pensamos, nós temos voz, nós não queremos apenas caras que não fazem mal ao físico, quremos que não façam mal à nossa união e amor-próprio.
  Eu realmente queria poder dizer tudo isso para você pessoalmente, mas eu não sei como. Você diria que era brincadeira, que estou sendo extremista e me calaria, ou melhor eu me calaria sobre o seu conhecimento e poder masculino de ver as coisas, eu estaria sendo vítima do machismo.
  Eu realmente quero que você não se afaste e se faça ainda mais presente e me presenteie se desconstruindo. Eu sei, é difícil, provavelmente passaremos o resto de nossas vidas fazendo isso, mas eu aceito e você?

Brenda Elisa.  
  

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Tentando ser forte e resistir

  Perguntam-me como ele era: “ Olha! Era um cara demais, muito sábio a principio.” Mas aos poucos fui percebendo que ele não se dava bem sendo assim. 
  Não quero dizer que ele era melhor sendo um ignorante, apenas que, ele era doente por dentro. Não havia sinal de sentimentos, eu claro tentei achar algo, desvendar os seus segredos e acabei lhe entregando um amor digno de acabar, pois o coração dele era sombrio demais para me amar. 
  Não conseguia odiá-lo a ponto de partir, ou para deixar de depositar todo meu amor, ele não podia me odiar o suficiente para me amar. 
  Senti-me deprimida e culpada, ele nem ao menos se desculpou, pois isso não é de seu feitio, confesso que imaginava outra história. Sempre que há fogo do amor intenso alguém se queima, mas percebi que se queimar não quer dizer que você vai morrer.
  Ficou uma dor, mas está passando... Texto após texto. Não vou me fazer de vítima por que também nunca fui uma Santa já que penso às vezes não querer mais gostar dele, assim poderia machucá-lo.
  Posso às vezes sentir falta dele -como uma criança sente de seu cobertor-, mas sabe de uma coisa? A realidade sempre muda.

Texto de Andressa Viana 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Post do Desabafo 2: "Sobre um esmagamento velado e a importância das letras"



  Eu li I love my husband pela primeira vez enclausurada numa sala sem reboco e me senti estranha. Não sabia os porquês mas senti um vento gelado nas costas. Me esforcei pra não admitir que não sabia. “Coitada”, eu pensei.   Tentei me convencer de que era ficção e de tão cruel não atravessava a barreira tênue do real. Anos dizendo aos outros que eu não gostava muito da Nélida em vez de assumir que o me faltava era coragem para lê-la novamente. Hoje narro meu próprio conto. Hoje percebo que não era a sala sem reboco que me enclausurava. 

  Dentre tantas, ele me escolheu pra ajudá-lo a superar uma desilusão. Eu deveria agradecer, é uma responsabilidade grandiosa. Eu ainda era virgem e pedi calma, não queria atropelar as coisas. Ele consentiu. Tão compreensivo... Ele não queria nada sério, disse que jamais namoraria uma mulher sem antes transar pra saber como é. Entendi. Concordei. Sem saber, ele me fazia entender e concordar com tudo. Durante nossas conversas, nas quais ele depositava palavras de carinho camufladas por soberba, ele dividia sua atenção em várias partes, iguais ou não. “Nós combinamos que não tínhamos nada sério...” Eu pedia desculpas. Elas eram tantas e de tão lindas me faziam sentir raiva. Ele me fez desgostar de pessoas incríveis que de mim não se diferiam em nada. Sinto muito. Não foi culpa de vocês. 

  Eu deixei de ser eu mesma pra ele me notar. Transamos, doeu, mas ele foi gentil e não forçou a barra. Agora ele sabe como é, podemos namorar. Nos aproximamos mais, eu me aproximei dos amigos dele. Era quase tudo o que eu queria. Ele contava tudo o que fazíamos na essência de nossa intimidade a esses amigos. Não tem problema... eram meus amigos também. Eles me olhavam com malícia entre uma nota e outra. Ele me fez acreditar que era elogio. Claro que era. Mesmo se depois esses amigos mirassem o mesmo olhar malicioso às outras, é melhor do que ser vista como uma mulher que não satisfaz. 

  Um dia ele bebeu. Na minha cabeça eu era a mais legal de todas por ser a única mulher da roda. Ele disse na frente de todos aqueles desconhecidos que toda mulher cheira mal e que eu não era diferente. Me senti péssima mas tentei esconder, não queria desapontá-lo. Não consegui. Quando os outros foram embora ele pediu desculpas. Desculpei. 

  Ele me fez acreditar que eu era atraente por ser prendada. Que eu era a pessoa mais inteligente que ele conhecia por achar que feminismo não era pra mulher de respeito. Que era sexy ser submissa. Eu me sentia amada, mesmo sabendo que não era.

Nosso relacionamento era uma montanha russa e na maior parte eu fiquei de ponta-cabeça. Terminamos, mas ele adoraria continuar meu amigo. Aceitei. Melhor que nada. Ele disse que eu era ótima quando estava com ele mas depois eu fiquei chata. Eu me desculpava, não queria parecer uma louca. Ninguém gosta de louca. A vida dele continuou igual. A minha vinha sendo até então ocultada por um véu escuro e abafado e eu continuava sem conseguir ler Nélida. 

  As minhas experiências seguintes não foram diferentes. Pelo menos eu tinha um exemplo do que me fazia mal. Mas me fazia mal? Não, não sei. Melhor esquecer o que disse. Desde um descontruído que acreditava em poliamor mas que não amava nada além do próprio ego a um amante da natureza que se achava bom o suficiente pra resultar numa paixão avassaladora vinda de mim e todas. 

  Foi só depois de eu aceitar os períodos construídos não só por Nélida, mas por Clarice, por Lygia, Hilda, Cecília que descobri em mim a intrínseca coragem em tirar o véu. Essa coragem já residia em mim mesmo quando o resultado das leituras não passava de um vento gelado nas costas. 

  “A literatura estragou as tuas melhores horas de amor”. Era como se Drummond tivesse ocultado meu nome da posição de vocativo antes deste verso. Com todo respeito, Carlos, mas a verdade é que a literatura me desprendeu daquilo que eu achei que significasse o amor. Amor, que depois de tanto tempo depositei em mim mesma. Hoje, a narradora que vos fala não precisa fingir ser quem não é pra fazer transbordar alguém. Reciprocidade. Essa é a palavra tatuada do lado de dentro da minha pele, onde o sangue corre e afoga as células sombrias de um passado até então escondido. Ela não precisa se dividir ao meio para ser a metade de alguém. Sendo inteira, vem um outro inteiro igualmente amável que a ela simplesmente se soma, se sente, se vive. E não se esmaga. 

Ass.: Anônima.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Post do desabafo 1: "Sobre deixar alguém de vez"


Você jamais acreditou que eu iria, mas hoje pela primeira vez, eu tive coragem de dizer ao mundo que não quero mais ser sua. E gritei tão alto, que te assustei.
Você jamais acreditou que eu iria, mas eu fui.
Você jamais acreditou que eu iria, eu te vi ali parado, me olhando, sua reação foi fugir e seus olhos estavam assustados. Mas eu fui.
Você jamais acreditou que eu iria, mas eu fui e dessa vez não fiquei em casa, dessa vez não chorei.
Você jamais acreditou que eu iria, ou que cumpriria o que eu falava à meses. Mas eu fui.
E fui de encontro ao meu verdadeiro amor: eu mesma.
Eu fui e não é igual a tantas vezes que você me mandou embora e eu voltei. 
Eu fui e se prepare rapaz. 
Eu fui viver e deixar de sofrer por você.
Você jamais acreditou que eu iria, mas eu fui.

Texto de Mariah Mendes.


Post do desabafo

"Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar ..."

O post do desabafo vem justamente com essa intenção, um espaço em que as pessoas podem desabafar anonimamente ou não em forma de escrita. Seus pensamentos, sentimentos, experiências em forma de texto. E aí o que acha? Me manda o seu desabafo. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Moça, grite!


  As pernas bambeiam, o coração dispara, as mãos suam e tremem, suas pupilas estão dilatadas. Poderiam ser estas as reações de quando você olha para alguém que você ama, mas são essas também as reações que você tem quando olha para alguém que você teme. 
  O que ocorre no seu corpo perante uma situação de risco é basicamente isso: o cérebro entende que o que você viu ou sentiu é um estímulo de estresse, devido à situações passadas (podem ser memórias que sejam relativas à situações de estresse parecidas, ou podem ser memórias que entendem aquilo como o oposto daquilo que foi vivido como bom). Ele libera estímulos químicos que aumentam o fluxo sanguíneo, que aumenta os batimentos cardíacos, faz as pupilas dilatarem, o corpo aquecer ao ponto de transpirar, os músculos aquecerem e estarem prontos para qualquer reação de emergência, por isso eles tremem. O aumento da frequência cardíaca leva aos pulmões trabalharem mais rápido para manterem o corpo inteiro oxigenado, por isso você respira mais rápido. O cérebro mais oxigenado toma decisões mais rápidas, quase que automáticas, por isso qualquer estímulo visual, barulho ou toque é o suficiente para uma resposta imediata. 
  Então, perante uma ameaça de um homem é exatamente assim que as mulheres respondem fisicamente.  Se o não dela não foi alto suficiente ou claro o suficiente, o corpo dela grita por ela. Se ela não teve coragem de dizer não, por ser coagida, o corpo dela também diz não com todos essas respostas, que são no mínimo desconfortantes e tentam impedir a ação do homem - como por exemplo, a falta ou mínimo de lubrificação da mulher-, na busca desesperada de impedir que ocorra.
   Pois bem, homem ou mulher que acha que abuso sexual é culpa da vítima ou é relativo: qual parte do não, você não entendeu? 
  O medo também paralisa, mas paralisa pelo choque e por coação, e esse é o medo que devemos temer como um todo. Esse é a resposta mais gritante de todas para demonstrar que o corpo ou o cérebro não conseguiu se defender. É dessa maneira que se silencia e se controla uma vítima. Ela se sente incapaz de falar ou agir em prol de si mesma. O que acaba causando mais situações de violência, pois a não denúncia deixa o sujeito livre para realizar o mesmo com outras e também, ele não entende que o que ele fez tem consequências e é chamado pela pessoa que sofreu de abuso. 
  Então moça, grite! A plenos pulmões para ele, para elas, para todos. Lide com a sua dor da maneira que lhe couber, mas não a reprima, não a esconda, não torne ela a sua vergonha. Moça, o seu não foi um não, não duvide de si, foi ele quem não quis ouvir.
 Brenda Elisa. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Aos ex-amores

    Peço licença para escrever aos ex-amores ou desamores que tive nessa curta vida. Usarei o termo moço para me referir à um ou à todos. A cada um em nossa história cabe reconhecer nas minhas palavras seus comportamentos, ações e palavras. 
   Moço, finalmente entendi que sua forma redentora  de partir dizendo que era o melhor para mim, ou mesmo não dizendo coisa alguma, não era para mim, era pra você. Mas sorte a minha que você se foi.
   Confesso que doeu, algumas vezes muito, outras pouco e outras matada com alguns xingamentos e caipirinha de cachaça (você sabe que é a minha preferida). 
    Incomodou, aquele sentimento de ser rejeitada e interrompida perdurou algum tempo, um tempo que eu poderia ter aproveitado melhor. Mas eu estava errada, eu não fui rejeitada, na verdade você rejeitou o que eu representava para você, e o que você escolhe pensar e ver de mim não é necessariamente o que eu sou. Aliás, você se permitiu me conhecer? 
  Sobre ser interrompida era porque eu achava que ainda havia tanto para ser vivido, sentido e experienciado, mas eu me enganei, você não viveria aquelas coisas por falta de interesse em compartilhar. 
    Eu posso ter dito eu te amo, ou posso ter te amado da minha maneira. Lembra da maneira como eu te ouvi, do carinho que tive com você, como eu me importava se você estava bem, se tinha chegado bem em casa e dei o meu primeiro bom dia e o último boa noite até o fim. Todas as risadas que eu dei. As coisas que compartilhei como quem entregava o seu maior segredo ou tesouro. A verdade é que eu era inteira, você era momento. 
    Moço, eu deixei você ocupar os espaços que queria, pois pra mim afeto é construído com o tempo, com a convivência, com a troca e com a permissão. Se pareceu que eu lhe pedi reciprocidade me desculpe, eu me enganei em achar que você era inteiro ou disposto. 
    Eu deixei um pouco de mim e levei um pouco de você comigo, afinal, tivemos coisas em comum, que eu não deixei de gostar por causa de você. Aliás para mim o que importou sempre foram os pontos de concordância, nunca exigi que você fosse como eu, que se encaixasse em minha vida. Eu pedi para você deixar eu participar de sua vida e deixei a porta aberta para participar da minha, tendo sempre o cuidado com o meu, o seu e os nossos sentimentos um para o outro. 
   Mas sorte a minha que você se foi, você não estava querendo ficar e não gosto de gente morna. Você dizia que eu era séria demais, boa demais, me entregando demais ou gostando demais. Eu que era mais ou você que era menos? Às vezes você que não estava interessado em ser, ou não se permitindo sentir as nossas vivências com a intensidade que eu vivi.
    Obrigada pela honestidade com palavras ou silêncios. A verdade é que eu sou amor da cabeça aos pés e você era medo, era receio, desinteresse em aceitar o amor que eu estava disposta a dar, a compartilhar com você. Fique tranquilo, eu notei que com seu jeito desajeitado e atrapalhado tentou. Mas sorte a minha que você se foi.
    Eu não insisti, você é livre e eu também sou. Amor não é prisão. Amor não é lição a ser ensinada. E se você ama a solidão ou pelo menos faz questão de ser um e não par, sorte a minha que você se foi e eu não tive que te expulsar. 

P.S.: Obrigada pelos momentos e pelas lições aprendidas. Das poucas coisas que eu sei é que eu quero amor e quero amar, não há espaço para quem não queira ficar.  

Brenda Elisa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Um pedido de desculpa de mulher para mulher

  Moça tenho que te contar uma coisa que descobri recentemente: você é igual a mim e eu não sou diferente de você. Parece óbvio não? Talvez, mas no nosso dia a dia, na maneira como nos tratamos, nos referimos, comentamos, olhamos uma para outra isso não foi visível.
    Eu não te via como par, como duas iguais, mas como opostos dentro de um mesmo grupo, como inimigas dentro de um contexto. 
   Moça, veja, é de coração aberto que peço desculpas. A culpa é minha, foi escolha minha, mas eu não sabia o que eu sei agora. Tem sido uma luta dentro de mim e acredito que dentro de você também. Eu lutei contra mim mesma, eu lutei contra você, eu lutei à favor deles, eu lutei a favor da lógica vigente.
   Moça me desculpa por ter sido um fantoche, mas as mãos que me manipulavam eram tão confortáveis e pareciam tão certas de si em seu discurso que eu acreditei que estavam certos, que eu estava certa e o pior, eu não via que eu era um fantoche, eu achava que eu fazia parte do corpo. 
   Foi difícil, mas eu consegui - aliás, ainda estou conseguindo- é difícil você ver que aquilo que parece fazer parte de você não é seu e não deveria ser, eu espero que você esteja nesse processo também. 
   Então moça, me desculpa por ter me achado tão certa e você tão errada. Me desculpa por ter julgado sua roupa. Me desculpa por ter julgado seu comportamento. Me desculpa por ter julgado seu relacionamento. Me desculpa por te fazer inimiga e não irmã. Me desculpa de querer te privar de certas coisas só por eu não ter coragem, não ser capaz ou achar imoral, moça, você é livre. Me desculpa por ter sido tapa -como a mão que me manipulava- e não abrigo. Novamente me desculpa.
     Sua dor é minha dor, a violência que te assombra me assombra, não precisamos de mais violência entre nós. De peito aberto e lágrimas nos olhos, eu te peço para que me veja como abrigo, que me veja como irmã, que sejamos par e não inimigas. Aceita? 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Identidade Metamorfose

Identidade é ser quem você era
Identidade é ser quem você é,
O que você faz, não o que você diz que faz.
Ser o que há de vir a ser.

Ser tudo que foi, tudo que é e tudo que será.
É a soma de todas as coisas 
É apenas uma escolha.

Faça o quiser,
Ame quem vier,
Cuide do que der.

Abra mão do que não quer,
E não aceite o que vier,
Vire o jogue se o acaso não lhe couber.
          
 Seja apenas sua, mulher, 
 Faça o que der 
Para que todas saibam  o que é aceitar.
E amar quem se é.

Brenda Elisa.

Sobre Luto e Luta!


   Mais um dia em que dormir foi difícil, ficar acordada foi à base de café e que o almoço foi indigesto. Mais um dia de luta. Mais um dia de tristeza, indignação e medo. O inimigo mora ao lado, o inimigo mora dentro de casa, o inimigo está no grupo de amigos, no trabalho, no transporte público, na esquina assobiando. Sim, inimigo, no masculino, de HOMEM, pois independente de quão desconstruidão que o cara seja, ele nunca vai entender ou sentir na pele o que é ser Mulher e o que é Machismo. 
   Para além destes, temos que lidar com as que negam o feminismo, para as que não querem te ouvir quando você começa a falar do tema e que infelizmente não reconhecem que sua dor e sua luta ajuda a construir uma sociedade de menos dor e menos luta e que se ela está tranquila foi às custas da dor e luta de outras. Mas como  algumas só aprendem na experiência e ela não tem a experiência de andar à pé, como não usa o transporte público, fecha os olhos para os assédios, está protegida em seu relacionamento de longa data e está alienada ao machismo e patriarcado, não consegue ter um sentimento de categoria. 
        Mulheres temos que nos unir, minha dor é sua dor, a violência contra as mulheres não é apenas uma questão de classe social, é uma questão de dominação, de poder dos homens contra as mulheres, uma violência de gênero. Por trás do assobio, por trás do assédio sexual, do abuso e do estupro não está apenas uma questão sexual de que ele quer ou não sexo, se era consentido ou não, pois homens com parceiras que consentem sexo também fazem isso. Ao contrário do que a literatura brasileira nos explicou em "O Cobrador" -em que o sem sexo cobrava das mulheres o sexo que lhe era negado por causa de sua condição financeira- está por trás dessa violência uma questão de dominação, de poder dele em relação à essas mulheres. Me desculpa Professora de Literatura do Ensino Médio, repito, não é apenas uma questão de classe. Não são apenas homens de periferia que estupram e assediam, vemos todos os dias nas classes médias e altas. Não é só uma questão de Educação também, pois vivemos isso no meio acadêmico. 
          Professores Machistas, grandes nomes da literatura da Psicologia dizendo em pleno evento com auditório com mais de 100 mulheres, que Daniella Perez foi morta por que a mãe a colocou em um papel sedutor demais. E companheiros de curso abusando de companheiras de curso. Mas atentem-se para o fato de que isso não é uma exclusividade das meninas que se envolveram com o dito cujo, nem do dito cujo, há outros no curso, há outros na humanas, há outros relatos de meninas da Psicologia com outros homens, há outros universitários machistas. Dentro ou fora da Universidade não estamos salvas.
        Ser mulher é sinônimo de luto e luta, somos educadas à nos matar um pouquinho à cada dia nos contendo, nos reprimindo, nos limitando para que nada de ruim nos aconteça e o pior, quando acontece com a gente sentimos que a culpa é nossa e como ainda falta sororidade às vezes acusamos umas às outras pelos ocorridos. 
     Nossos corpos são objetificados, nos matamos um pouquinho mais nos enchendo de química para uma aparência melhor, nos restringindo de alimentos para permanecermos magras e tentando ser bem sucedidas nas 3 esferas de nossa vida: trabalho, amigos/família e relacionamentos. Quantas de nós pode dizer que é bem sucedida em se amar? Em ser prioridade em sua vida? Em não deixar quieto uma agressão seja de quem vier? 
       Luta porque ser feminista dói, problematizar a nossa cultura, analisar mínimas coisas que nos tornam tão diminutas perante os homens, tornar nosso corpo o nosso campo de batalha, o nosso gênero uma batalha, fazer as nossas vidas importarem é difícil. Me dá vontade de chorar, me dá vontade de lutar, de punhos fechados, estudando a história do feminismo e os direitos das mulheres. Tudo isso andando apressada pelas ruas, tomando cuidado com a hora e o local, olhando para os lados e para trás sempre. 


         E há quem diga que eu mudei, que eu não sou mais a mesma, que eu ando chata. Só tenho uma coisa à dizer: "Obrigada, que a mudança que ocorreu em mim, ocorra em você".

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Back to Black

 Sim, estou de volta escrevendo nesse blog. Provavelmente ninguém mais use este site ou essa maneira de se expressar em pleno 2016, mas como essa foi a maneira que eu mais gostei de ser sincera comigo mesma e com os outros em 2008, eu voltei.
            Vamos ver no que vai dar? 

                                                                                                                        Brenda Elisa.